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Inteligência Artificial, Arte e Indigeneidade: Capítulo 7

Inteligência Artificial, Arte e Indigeneidade
Capítulo 7
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Notes

table of contents
  1. Título
  2. Dedicatória
  3. Sumário
  4. Lista De Figuras
  5. Notas Sobre Os Autores
  6. Agradecimentos
  7. Introdução
  8. Parte 1
  9. Capítulo 1
  10. Capítulo 2
  11. Capítulo 3
  12. Capítulo 4
  13. Capítulo 5
  14. Capítulo 6
  15. Parte 2
  16. Capítulo 7
  17. Capítulo 8
  18. Capítulo 9
  19. Capítulo 10
  20. Capítulo 11
  21. Capítulo 12
  22. Parte 3
  23. Capítulo 13
  24. Capítulo 14
  25. Capítulo 15
  26. Capítulo 16
  27. Capítulo 17
  28. Capitulo 18
  29. Conclusão
  30. References

Capítulo 7

Autenticidade criativa e sensibilidade visual artificial

Azul – Nicolás Jiménez Reyes

Inche pignen[1] Nicolás Jiménez Reyes, conhecido como Azul, descendente do povo Mapuche por parte de mãe e avó materna, e membro da Associação Indígena Calaucán de Llolleo, em San Antonio, Chile. Sou formado em Artes Visuais pela Universidade de Playa Ancha, em Valparaíso, e fui homenageado pela Corporação Nacional Indígena (CONADI) em 2020 por minha trajetória artística. Atualmente, atuo como artista visual e professor de artes.

Como professor e artista visual, há sempre a necessidade de explorar e descobrir novas propostas artísticas que estão surgindo atualmente, e acho muito interessante observar novas formas de expressão. Há algum tempo, vinha ouvindo que a IA estava conseguindo, de alguma forma, assimilar obras artísticas digitais, o que me causava certa inquietação e curiosidade em explorar essas novas dimensões de expressão. E o Universo se manifestou de alguma forma, levando-me a investigar esses novos caminhos digitais, repletos de sensações e emoções. Graças ao convite de Sebastián Gerlic, presidente da Thydêwá, e de um grupo de acadêmicos liderado pela professora Thea Pitman, aprofundei-me ainda mais no que está ocorrendo com a Inteligência Artificial em um nível mais profundo e profissional, repleto de reflexões coletivas e individuais.

Ao explorar pela primeira vez esses novos programas relacionados à IA generativa durante a primeira fase deste projeto, senti que tinha certas noções básicas sobre o tema e o que se podia alcançar com essas tecnologias. Mas foi bastante surpreendente ver os resultados que podiam ser obtidos a partir de um texto e como este podia se transformar em uma imagem visual.

Lembro-me de que realizamos diversos exercícios e conversamos sobre o que queríamos criar por meio de palavras, frases e textos, com o objetivo de chegar a um resultado mais completo, tanto no conceito quanto no uso técnico do programa. No momento de expressar minhas ideias, e s sentimentos e minha visão por meio de palavras precisas, surgiu uma imagem que me comoveu e, de certa forma, me levou a questionar minha autenticidade criativa (ver fig. 7.1, especialmente a imagem abaixo). Ela se parecia muito com meu estilo de pintura (ver fig. 7.2), mas senti que havia sido levada a outro nível. É claro que achei a imagem muito bonita e senti uma certa admiração por esses novos avanços tecnológicos e pelas pessoas que estão por trás de tudo isso. Senti que eles haviam alcançado uma espécie de ‘sensibilidade visual artificial’ por meio de uma nova imagem, e isso me levou a refletir sobre quem sou como artista, no âmbito criativo. Sempre achei que isso fosse algo muito pessoal, difícil de reproduzir por meio da tecnologia, mas eles já estavam um passo à frente do que eu imaginava.

Também fiquei muito surpreso com os trabalhos realizados por meus colegas neste projeto, com uma qualidade artística muito alta. Isso também me ajudou a refletir e a suavizar minhas ideias e minha apreciação sobre essa nova forma de ver a arte digital. Ainda somos nós que devemos enviar as ideias por meio dos prompts, e sem isso, a IA não funcionaria (pelo menos agora). Ainda somos os seres pensantes, e quero ficar com essa ideia por enquanto. Mas é inegável que a IA nos surpreende cada vez mais, ultrapassando limites futuristas e avançando a um ritmo assustador. Espero que esse avanço seja bem conduzido, em benefício da natureza e das pessoas.

Fig. 7.1. Azul – Nicolás Jiménez Reyes, Um homem e uma mulher com os olhos fechados, imagens geradas com o Midjourney v.5.1. Acima, prompt original em inglês e espanhol; abaixo, o mesmo prompt, mas apenas em inglês: ‘Um homem e uma mulher com os olhos fechados em primeiro plano; ao redor deles, observa-se o universo com uma variedade de cores. Da cabeça do homem e da mulher surgem frases, COM PALAVRAS ESCRITAS, como: “Respeito, felicidade, equilíbrio, segurança e coragem”’, maio de 2023. (Nota: As

imagens geradas nem sempre representam o que o prompt especifica. Por exemplo,

aqui, às vezes as figuras têm os olhos fechados, outras vezes não. Da mesma forma, as

imagens resultantes nunca refletiram as frases que o artista pretendia.)

Fig. 7.2. Azul–Nicolás Jiménez Reyes, Dança para o Universo, pintura acrílica sobre tela, 2020.

  1. Nota dos editores: ‘Inche pignen’ significa ‘meu nome é’ em Mapudungun/Mapuzungun. ↑

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